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Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco! Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois ao vê-los loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a “normalidade” é uma ilusão imbecil e estéril.
O tempo. Tão lembrado, discutido e mesmo assim, consegue assustar! É lembrado praticamente todos os dias. Aliás, não digo apenas sobre o tempo que deixa marcas – profundas e eternas – no corpo de alguém. Já é um assunto muito chato e batido, principalmente quando aqueles programas femininos falam de como suavizar os “sinais do tempo” por horas a fio. Não gosto. Tenho outras preferências.
Prefiro pensar no medo que as pessoas têm de pela falta de horas nos relógios não verem seus filhos crescendo. Aliás, os pais ficam tão surpresos com isso. Vou relembrar que seus rebentos, senhores pais, são pessoas comuns, seres humanos – olha!, que novidade -, e não uma espécie mais evoluída e acima da média, mais ou menos como os mutantes.
Há o medo também de não dar conta de todas as atividades do tedioso dia-dia. O trabalho exige cada vez mais e a pessoa nunca pode parar de freqüentar os bancos escolares. E mesmo com medo, o indivíduo sempre acredita que vai dar conta. Cada um se encara como um super herói. Faltam apenas os poderes e os necessitados, porque só assim vamos parecer com o Homem Aranha ou no caso das moças, a Mulher Maravilha.
A falta de tempo atinge mais coisas. O lazer muitas vezes é raro ou abaixo do que todos desejam. Apesar de que como bons (?) brasileiros, se pudermos, ficamos em férias o ano todo e ainda assim, conseguimos valorizar os feriados como mais importantes que o Natal.
Será que um dia não se terá tempo para a reprodução? Não sei. Na verdade, ninguém se interessa pela reprodução, e sim, por outras coisas mais prazerosas. De fato, só espero que você tenha tido tempo para ler esse texto, que tentou apenas mostrar como somos loucos e não discutir as novas formas de fazer sexo da atualidade.
Nuvens densas davam passagem a tímidos raios de sol. Ele abraçou até o síndico do prédio. E abraçou não porque gostasse do homem, mas simplesmente por causa de um roupante de alegria e principalmente, de alívio.
Um sentimento claro e exato. Enfim ele se sentia livre para tudo. Estava separado de sua ex-esposa. E ainda não sabia e tentava compreender qual motivo o tinha feito casar com ela e viver sob o mesmo teto por mais de vinte anos. Convivência quase obrigatória.
Ainda bem que não tinha herdeiros. Os filhos não mereciam ver o casamento sendo desmantelado lentamente e ao longo de tanto tempo. Seria dolorido demais. Provavelmente, insuportável.
“Ter filhos seria o pior caminho que eu poderia escolher. Seria um verdadeiro inferno”, concluiu Paulo, já dentro do carro, pronto para ir embora do prédio em que viveu boa parte da vida. Queria esquecer sua esposa, ou melhor, Ana, sua ex-esposa. Era difícil, inegavelmente.
“Vou viajar. Conhecer outros lugares, novas pessoas. Conhecer mulheres”, desejou o homem.
Os meses seguintes foram assim, de viagens e um pouco de trabalho. Paulo era de uma família rica. Seu pai possuía vários negócios em diversos ramos, principalmente no industrial. Ele – como filho – já controlava boa parte e dinheiro nunca havia faltado. As regras eram feitas por ele. Ou seja, era um “bom vivant” tupiniquim, que em alguns momentos ainda se comportava como um jovem com seus 20 anos.
Passou pela França, Itália, Holanda, conheceu o Uruguai, o Chile, até o Japão e a China, seu sonho desde as últimas Olimpíadas. Ana, no Brasil, estava muito bem. Continuou trabalhando, saía de vez em quando com as amigas e não tinha a preocupação de arrumar outra pessoa com tanta pressa como fazia o seu ex-marido.
“O Paulo precisa de uma outra mulher para ser feliz. Ele é aquele tipo que não consegue viver sozinho”, afirmou claramente Ana.
Paulo realmente tentou muito. Nenhum relacionamento ultrapassou o primeiro mês. Decidiu se dedicar ao trabalho e tentar esquecer de uma vez por todas o casamento desfeito. Ana ainda não havia sido esquecida por ele. No entanto, com o passar do tempo, confirmou o que já havia percebido: não devia ter se separado. Talvez, de alguma forma, tentar salvar o casamento era a melhor saída.
Percebeu, inclusive, que os dois não fizeram nada para melhorar a relação. Paulo chegou à conclusão que não valorizava a ex-esposa como devia.
“Preciso procurá-la. É a minha última chance para conseguir um pouco de alegria”, encerrou o assunto para si mesmo.
Demorou a ter coragem. Uma semana se passou e resolveu ir ao antigo apartamento em que ele morava com a esposa, onde ela, até onde se sabia, ainda continuava a viver. Foi ao local, mentiu para o porteiro, dizendo que ainda era casado com Ana e, finalmente, conseguiu ter a permissão para subir ao apartamento.
Chegou em frente à porta de número 51. Não teve coragem de bater de imediato. Esperou alguns instantes. Respirou fundo e bateu levemente na porta branca. Nada mudou. Tocou a campainha. Ninguém abriu.
De repente, o síndico do prédio, o mesmo homem que Paulo havia abraçado quando se separou meses antes, apareceu.
“O senhor não vai ser atendido por ninguém”, avisou.
“Por que?”, questionou Paulo.
“A sua ex-esposa não mora mais aqui”, disse o síndico em tom nada animador.
Quando pensou em perguntar algo, Paulo foi interrompido pelo homem.
“Na semana passada, ela foi assaltada e infelizmente, foi assassinada”, comunicou o funcionário com o timbre triste. “A mãe dela veio à cidade, enterrou a filha e foi embora. Preferiu não avisar a sua família, por causa dos últimos acontecimentos. O senhor chegou atrasado por poucos dias”, finalizou.
Naquele instante, Paulo viu todos os seus planos caírem por terra. Para sempre. Olhou o rosto do síndico, fez um gesto de agradecimento, desceu as escadas, saiu do prédio, pegou o seu carro e decidiu ir trabalhar. Iria apagar aquilo de sua mente.
Mackenzie comemora dez anos de curso de jornalismo e diversifica grade curricular
Por Amanda Costa
Bruna Kfouri
Gean Oliveira
Leonardo Azzali
Louise Vernier
Vanessa Serafim
A grade antiga era mais prática, técnica, segundo a também professora de jornalismo do Mackenzie, Cicélia Pincer. “A principal mudança é que o curso cobra mais do aluno, mais produtividade, mais atitude”, afirma. E com essas mudanças, o estudante também passa a pensar mais, “como um agente social”, finaliza a professora.
Por meio desta nova grade, o futuro jornalista consegue enxergar sua importância e responsabilidade para a sociedade de uma maneira mais clara, além de saber manusear os acontecimentos diários, que são naturais em seu dia-a-dia.
Apesar da queda do diploma para o jornalista, a procura continua grande, e é justamente por essa maior variedade de assuntos e pelo aumento da exigência que se mantém o interesse dos estudantes, já que o mercado pede um conhecimento diversificado e consciente.
Por Leonardo Azzali
Quando algum atentado terrorista acontece, todos se perguntam o motivo para tal fato. As respostas são sempre óbvias. Um conflito religioso, militar, geográfico, econômico; qualquer fator que seja semelhante a esses são lembrados pela sociedade. Em Moscou, na Rússia, aconteceu nessa semana uma série de atentados, sendo os dois primeiros no metrô da cidade.
O mais impressionante é que eles foram provocados por duas mulheres-bomba, sendo uma delas de 17 anos. A foto dessa moça com o marido - ambos segurando armas - foi estampada em todos os veículos de comunicação.
É claro que a idade da garota impressiona, mas existem outros pontos que podem piorar nossa visão da realidade. De acordo com a coluna de Clóvis Rossi, no jornal a “Folha de São Paulo”, intitulada: “Quando a inocência mata”, publicada no domingo (4), somente uma pessoa fanática, convencida por outra do mesmo jeito consegue e tem a coragem de cometer tal ato.
Clóvis se questiona até que ponto um ideal pode guiar uma pessoa e suas ações. Além disso, aponta a falta de esperança. Exatamente esse sentimento tão difícil de explicar é o que não existe em uma pessoa que provoca uma tragédia, que matou mais de 40 pessoas e feriu mais de 80, sendo apenas o início da série de atentados.
A juventude mata. Mata cada vez mais. E o que fazer? Como entender e solucionar o motivo para indivíduos tão jovens se autodestruírem e destruírem tantas outras vidas a troco de nada. Ou melhor, na mente dessas pessoas, elas se matam por um ideal, por uma luta. Uma luta que sempre termina matando quem nem ao menos sabe o que esses grupos almejam. Os desconhecidos apenas assassinam aqueles que estão em seu caminho.
Não dá para crer que apenas os jovens fanáticos como estes são os desumanos da sociedade. Pelo contrário, há tantos outros casos. Abra os jornais e veja as notícias sobre tráfico de drogas, seqüestros, assassinatos, roubos e note que sempre há um adolescente envolvido.
O mesmo rapaz que mata, faz parte do futuro do Brasil. Afinal, os jovens têm essa missão: elevar o país, fazer evoluirmos como nação. Fica complicado, no mínimo, ao ver que boa parte está ou pode se envolver com tudo o que pode desmantelar o futuro tão sonhado pelas gerações anteriores. Qual geração fará algo pelo coletivo? Quem vai sobrar?
Claro que há aqueles com perspectivas e oportunidades, no entanto, quantos estão sendo esquecidos pelas autoridades e por suas famílias e lembrados pelo tráfico? Quantos adolescentes se perdem por não possuírem referência?
Pode-se pensar também que muitas pessoas que têm tudo para se tornarem ruins e marginais, não seguem tal caminho. Mas, vamos concordar que deve ser difícil resistir, porque o ambiente influencia. As amizades interferem, e principalmente, a realidade dentro de casa. Um rapaz que vê seu pai batendo em sua mãe tem mais chances de se tornar o quê?
O jornal é o reflexo do que somos, do ambiente em que vivemos e do desespero daquele que bate no vidro de um carro, que toca a campainha de nossa casa; é aquele que quer ser visto e lembrado por alguém.
Todas as pessoas envolvidas e fãs de televisão sabem que Adriane Galisteu sempre ficou muito insatisfeita com a sua situação na época em que trabalhava no SBT. As reclamações eram diversas: formato, duração do programa e as famosas mudanças de horário. Adriane era jogada pela grade numa velocidade que deixaria Barrichello com inveja
No entanto, no ano passado, depois de um bom tempo negociando com a emissora de Silvio Santos, ela acabou assinando com a Band. Prometeram um programa de variedades, com entrevistas, musicais e reportagens turísticas. Tudo isso ao vivo e do jeito que Galisteu queria.
Analisando a estreia, trechos de outras edições e o último programa exibido na sexta-feira (24) – que não foi ao vivo –, percebo que o “Toda Sexta” é mais uma vez semelhante ao programa de Hebe Camargo, e, além disso, não tem um formato interessante e nada que faça o telespectador ficar preso na frente da TV.
Porém, o estilo do programa de Adriane já é conhecido e, na maioria das vezes, sempre ficava com baixo Ibope e alto faturamento. Mas dessa vez a situação é pior. Além de dar dois pontos – três a menos do que o programa “Terra Nativa” conseguia no horário –, o faturamento está baixo.
Adriane é competente, sabe entrevistar, é simpática e inteligente. Seu programa não é novidade, mas não consegue convencer mais o mercado publicitário. Aliás, aliado a isso, o público não sabe que Adriane mudou de emissora e muito menos sabe que ela está no ar. O horário e principalmente o dia são ingratos, já que boa parte do pequeno público da apresentadora não está em casa. Conseguiram errar em tudo. A atração não muda em nada a vida das pessoas.
Falta exatamente esse detalhe: publicidade e atrações mais interessantes. Buscar uma participação maior do público. Galisteu merece sucesso e reconhecimento dos telespectadores. Espero que a direção da emissora perceba que os resultados obtidos com o programa são reflexos da audiência da própria Band. Não adianta culpar a equipe, como já fizeram com outros profissionais. Cada um com a sua culpa, e principalmente com a sua competência.